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Regra de três na enfermagem: como calcular a dose de medicação, com calculadora

Por Henrique Fernandes dos Santos · conferido em 02/11/2026

A conta de dose mais comum no plantão é esta: o médico prescreveu uma quantidade do medicamento, e a apresentação disponível tem outra. Quantos mL aspirar? A regra de três responde. O guia Boas práticas: cálculo seguro, do Coren-SP, lembra que, na prática profissional da enfermagem, usa-se a regra de três direta: mais dose, mais volume.

Como montar, em três passos

O Coren-SP ensina a montar assim:

  1. Mesma unidade embaixo da mesma unidade: mg embaixo de mg, mL embaixo de mL.
  2. Na primeira linha, o que você sabe: a apresentação disponível, como está no rótulo.
  3. Na segunda linha, o que precisa descobrir: a dose prescrita e o x no lugar do valor que falta.

Depois, multiplique cruzado e divida.

O mesmo guia observa que a regra de três só é necessária quando não dá para resolver a conta de forma direta. Se cada ampola tem 2 mL, três ampolas têm 6 mL, sem regra de três.

A fórmula que dá o mesmo resultado

A regra de três da dose pode ser escrita como fórmula:

Volume a aspirar = dose prescrita × volume da apresentação ÷ dose da apresentação

Quando o rótulo já dá a concentração em mg/mL, fica ainda mais curta: volume = dose prescrita ÷ concentração.

Calculadora de dose (regra de três)

Use a mesma unidade nas duas doses (mg com mg, unidades com unidades). Serve para conferir a conta. Não substitui a prescrição, o rótulo, a bula nem o protocolo do serviço.

Quatro exemplos resolvidos

Exemplos de cálculo, não são prescrição. As apresentações são fictícias: confira sempre o rótulo, a bula e o protocolo do serviço.

1. Ampola em mg por volume. Prescrição: 60 mg. Disponível: ampola com 100 mg em 5 mL.

100 mg — 5 mL
60 mg — x mL

x = 60 × 5 ÷ 100 = 3 mL.

2. Concentração em mg/mL. Prescrição: 60 mg. Disponível: frasco-ampola com 40 mg/mL.

Volume = 60 ÷ 40 = 1,5 mL.

3. Comprimido. Prescrição: 25 mg por via oral. Disponível: comprimido de 50 mg.

25 ÷ 50 = 0,5 comprimido (meio). Só parta o comprimido se a bula e a farmácia permitirem; se não, peça outra apresentação à farmácia.

4. Solução oral. Prescrição: 375 mg por via oral. Disponível: suspensão oral com 250 mg em 5 mL.

250 mg — 5 mL
375 mg — x mL

x = 375 × 5 ÷ 250 = 7,5 mL, medidos com instrumento de medida padrão, como seringa milimetrada, que é o que o protocolo do Ministério da Saúde pede para medir doses com exatidão.

Por que nunca colher

O Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos, do Ministério da Saúde, pede que, diante de medidas imprecisas como colher de chá, colher de sopa ou ampola, o profissional consulte o prescritor e solicite a dose numa unidade do sistema métrico. O Coren-SP lembra que o volume das colheres varia conforme o fabricante.

Confira antes de aspirar

  1. O resultado faz sentido? Se a dose prescrita é menor que a da ampola, o volume tem de ser menor que o da ampola. No exemplo 1, 60 mg é pouco mais da metade de 100 mg, e 3 mL é pouco mais da metade de 5 mL.
  2. Refaça pelo outro caminho: se fez a regra de três, confira pela fórmula, ou o contrário.
  3. Alta vigilância pede dupla checagem. Para medicamentos potencialmente perigosos ou de alta vigilância, o protocolo do Ministério da Saúde pede dupla checagem dos cálculos para o preparo e da programação da bomba.

Para a velocidade do soro, veja o artigo sobre cálculo de gotejamento, que também tem calculadora.

Fontes

  • Coren-SP. Boas práticas: cálculo seguro. Volume I: revisão das operações básicas. PDF
  • Ministério da Saúde, Anvisa, Fiocruz e Fhemig. Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos (aprovado pela Portaria MS nº 2.095/2013). Página da Anvisa